Terça-feira, 07.09.10

Por lealdade devida ao prezado leitor, tenho de confessar não haver conseguido desfazer todas as «dúvidas sérias» que levava no meu espírito a quando da minha primeira visita a S. Bartolomeu de Louredo. A principal delas consiste em não saber ao certo se a igreja da invocação de S. Bartolomeu chegou a constituir algum dia sede de uma paróquia. Baseado na opinião de autores muito conscienciosos e eruditos, arrisquei-me a dizer da última vez que ela houvera sido «igreja paroquial», mas reconheço agora que essa afirmação tem de sujeitar-se a uma certa reserva, como veremos. Para fugir a longas citações, vou referir-me apenas ao parecer de três autores, dois dos quais dos nossos dias que ao menos indirectamente se ocuparam deste assunto. Em primeiro lugar, o douto beneditino Fr. A. da Assunção Meireles. Nas suas Memórias do Most. de Paço de Sousa - Lisboa. 1942, p. 80 -, aludindo à «igreja» de Louredo, de S. Martinho de Penafiel, chama-lhe expressamente «paróquia de S. Bartolomeu». O P.e J. Monteiro de Aguiar estribado na mesma passagem da obra de Fr. Meireles, ao enumerar as «igrejas paroquiais», de origem medieval, na «terra de Penafiel», incluiu nelas a de S. Bartolomeu (v. Louredo - A Terra de Penafiel - Porto, 1943, p. 60). Abílio Miranda, no seu opúsculo A Freguesia de S. Martinho de Moazares, p. 14, nota (b), expressa da seguinte maneira a sua «certeza» acerca da igreja de S. Bartolomeu ter sido paroquial: «Apesar da grande documentação que tenho referente à Igreja de S. Bartolomeu de Louredo, nunca consegui determinar a época em que ela foi paroquial, chegando mesmo a duvidar que o tivesse sido: mas soube, porém, ainda há pouco tempo, que numas escavações feitas pelo sr. Simão Júlio da Mota Barbosa, com o fim de abrir uns cavoucos, foram encontradas, junto desta igreja, muitas ossadas; facto este, que nos dá a certeza de ter ela sido paroquial». É indiscutível que existiu um cemitério junto da igreja de S. Bartolomeu, de que subsiste ainda um reduzidíssimo número de sepulturas - que todas as demais foram sacrificadas a fins puramente utilitários - Deus meu! -, de mero interesse particular...

(Haveria motivo algum que pudesse justificar tal afronta feita ao repouso dos restos mortais de nossos irmãos antepassados, de mais a mais em terreno propriedade da Igreja? Já não falo sequer no desinteresse arqueológico histórico com que se fizeram tais «escavações», por amor de uns «cavoucos»!).
Um cemitério naquele sítio pode ser realmente uma prova de que a igreja de Louredo fora outrora paroquial, mas o que não pode demonstrar, por si só, é que a igreja, sob a invocação de S. Bartolomeu, fora antigamente sede de uma freguesia. Já não podemos ver hoje as razões que nos impedem de perfilhar a «certeza» tão almejada de que S. Bartolomeu de Louredo fora igreja paroquial.
MONAQUINO

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publicado por candeiavelha às 00:38 | link do post

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